Já é fenômeno da cultura pop o culto pelo lugar incomum. Ir para lugares, ouvir músicas, assistir filmes que poucas pessoas tiveram acesso. É só cair em domínio público uma banda desconhecida, um filme independente B redescorberto, uma novo bar, que o “anti-hype”de plantão já torce o nariz, partindo novamente em busca “do novo” (que as vezes nem é tão). Isso já existia nos anos 80, principalmente com a música eletrônica da época, que era bem marginalizada, excluída em tudo que é mídia, pré-MTV, internet popularizada, mp3 e blá blá blá.
Era assim, alguém com gosto mais arrojado pra música, que viajava para Paris, Londres, Berlin, Bruxelas e Antuérpia, trazia discos e vendia para algumas poucas lojas; ia direto pra algum dj de algum porão mal iluminado, deleitava o público e tempo depois tocava em outras casas noturnas ou em algum programa de radio independente. Pronto. Os “descolados” iam a loucura. Eles queriam tornar o culto a obscuridade musical, algo sagrado, para poucos. Até aí tudo bem. Mas acaba sendo um tiro no próprio pé quando se faz publicidade disso, levantando um termo perigoso - “anti”. Perigoso porque o complemento da frase seguinte é “hype”.
Oras, o “anti-hype”, acaba sendo hype2. Ele torna-se isso automaticamente tentando ir onde ninguém foi, ouvir o que poucos ouviram ou assistir o que quase ninguém assistiu. O problema está na semântica, na prévia da auto-publicidade, sem deixar a surpresa da descoberta deflorar. Neste último, aí sim, ele está sendo “anti”.
Ser “anti” sem saber que é, de forma involuntária, é “anti2”.
Fica mais charmoso e original.